24 de dez de 2012

Feliz Natal








Minha família e eu somos pessoas que apreciam o simples; o espírito, no entanto, é exuberante. 
No natal, a tradição é ir na casa do meu avô, e lá nós aprontamos mil. Tem churrasco, tem ceia, tem janta, tem doce, tem rapadura!, tem leite direto da vaca, tem bolacha, tem frangão, tem peru, tem panetone, tem cesta... E é maravilhoso. Nós nos juntamos num ambiente só, toda a família que graças a Deus está crescendo, e por menor que seja, torna-se enorme. Lá, tudo de positivo vence o negativo. Nós realmente celebramos o natal.
E quando vou para lá, é com uma simplicidade no coração - porque é assim que vamos todos. 
Chegam vizinhos e conhecidos, até pessoas distantes. Mas são todos da família quando estamos lá. 






Feliz Natal a vocês e sua família.
Que 2013 seja incrível.

11 de set de 2012

Erros

Não sei qual é o maior erro do ser humano. Para errar comigo, é simples! Subestime-me.




Basicamente, o que o mundo poderia fazer seria ter sede de conhecimento.Os recursos sempre serão poucos; não há dúvida.
Os recursos eram mais escassos ainda em tempos anteriores. Mas sempre há como chegar em conclusões que a si mesmo podem parecer concretas. E se estiverem erradas?
Ora, viva para isso. Viva para que estejam erradas. O bom de errar é assumir o erro, aprender o errado, discutir o certo, e adotar o novo.

Nunca despreze um pensamento - ainda que seja ignorante! - aprendi isso agora. Passarei a respeitar o
que os outros pensam, porque há certas coisas no mundo que mesmo os mais inteligentes não sabem.
Eles subestimam os jovens; eles os chamam de fracos! Mas fraco é aquele que fará o mundo, o SEU mundo em diante?

Não é fraco, é jovem - mas nunca, nunca, nunca creia que jovem é sinônimo de sem sabedoria. Há tanto conhecimento nessas cabeças modernas. Essas cabeças que conhecem a história, quem sabe mais do que elas?
Você que a viveu; você a conhece de outro lado, de outro ponto de vista. O jovem... o jovem conhece tudo. Certo ou errado.

Chegou a hora de aprendermos a ouvir?
Quem dirá se já não estamos atrasados?



27 de ago de 2012

Lei da Palmada

A Lei da Palmada foi criada em conjunto com a ONU em 1989, mas com esse nome foi definitivamente legalizada em 2010 e entrou em vigor em 2011. Recente, não?


Ela consiste em interferir nas famílias em que os pais ou responsáveis agridem - tanto fisicamente quanto moralmente - um menor, ainda que seja "em prol da educação".



É CIENTIFICAMENTE comprovado que agredir crianças e adolescentes NÃO ajudam na educação. Só piora. O psicológico de uma pessoa que apanhou quando criança é totalmente diferente de quem não apanhou; existem, para que se evite esses castigos, agressões ou ofensas às crianças grupos para conscientização dos pais - e psicólogos que os possa ajudar, porque os pais que agridem seus filhos foram agredidos quando crianças.

Educar seu filho não é tarefa fácil. Porém violência não é requerida. É perfeitamente possível e é uma realidade educar seu filho com carinho, repreensão e fala. Sou um exemplo disso.


"Há mais de 20 anos a ciência estuda os efeitos dos castigos físicos em crianças e adolescentes. Os resultados indicam que apanhar faz mal para o desenvolvimento psicológico deste grupo. A psicóloga Joan Durrant, da Universidade de Manitoba, e o assistente social Ron Ensom, do Hospital Infantil de Eastern Ontario, ambos pesquisadores canadenses, analisaram vários estudos sobre o tema. Segundo eles, nenhuma destas pesquisas comprovou que punir fisicamente tem efeito positivo. Pelo contrário! A maior parte dos estudos constatou efeitos negativos, tais como depressão, ansiedade e vícios, que podem começar na infância e se estender para a vida adulta.
(Teresa Surita, deputada federal do PMDB, em seu próprio site)"

É extremamente revoltante, Inaceitável, inacreditável, ABSURDO, ridículo e desumano acreditar que "tapinha educativo", "beliscão de castigo", "bronquinhas" e todos esses diminutivos ou aumentativos sejam algo comum. O que houve com o mundo? VOCÊ gosta de apanhar? VOCÊ quer apanhar? VOCÊ acha justo apanhar? Por que fazer isso com UM MENOR INDEFESO? Brigue com alguém do seu tamanho! Não me questione; não estou apta a mudar de opinião quanto a isso. 

Digo, repito, realço e DEFENDO ATÉ A MORTE: Pai que bate em filho em prol da educação NÃO SABE EDUCAR. 



Digo, repito, realço e defendo. Não ouse tentar me mostrar que essa lei é falha. Quer brigar? BRIGUE PELOS SEUS DIREITOS CONSTITUCIONAIS determinados pela constituição de 5 de outubro de 1988. 

Defenda o seu filho! Defenda a sua criança! É a sua cria! É parte de você! Não é humano gostar de bater; é pura selvageria essa violência. Não! Não é justo com o menor, e com a criação dessa lei, posso confiar que a política em 
defesa dos direitos das crianças e adolescentes caminha para o lado certo.

Acha isso bonito?



Proteja o seu filho!






Veja também:






Engolindo M...


É isso o que acontece quando nós, que temos direitos e deveres, deixamos de lado os nossos deveres para ignorar os direitos. É revoltante saber que a preocupação de um é o papel higiênico de outro. O Brasil tem que se unir mais uma vez! Quantas vezes na história isso aconteceu? O mais recente foi na década de 90, quando o presidente eleito ridiculamente por nós tocou no nosso bolso. Por que o que acontece agora tem que ser diferente? Por que temos que nos iludir? Não estamos vivendo o paraíso tropical, como dizem ser o Brasil. O BRASIL ESTÁ DIVIDO. Enquanto isso não for colado, a política não será consertada. 
Você está pronto para mudar o país?










(Por Bianca Braga de Carvalho)

11 de ago de 2012

Animalização ou Evolução?

A expectativa era grande. Famílias e famílias reunidas em volta da loja principal da pequena cidade americana.
Um caminhão de pequeno porte parou do outro lado da rua. Um moleque de boina verde-alfaiate quis correr na direção, mas sua mãe o segurou pelo ombro. Dois brutamontes desceram e abriram atrás; um caixote enrolado num pesado pano branco foi trazido para a loja por eles. Parecia pesado, mas não tão grande. Foi esse o marco da primeira "modernização" das mídias de comunicação nas cidades dos Estados Unidos, a nação mais consumista do mundo inteiro.

Semanas depois, o jovem menino sentava no braço do sofá; a irmã, mais velha, do lado oposto. O pai, de terno grosso e sapatos italianos beijou sua esposa, que ficava de pé atrás do sofá verde. Ele tirou a gravata e colocou no quarto. Voltou para a sala e, junto com sua família, via um programa na tevê que se poderia chamar de "entretenimento".
Todo os dias, assim que anoitecesse, a mãe tirava o bolo do forno. A filha desligava o telefone e pedia que
sua amiga Jane, da casa ao lado, ligasse depois para falar sobre o Robert. O menino tirava os sapatos e deixava na sala, e sua mãe o obrigava lavar a sola e largar do lado de fora. O pai tirava a gravata e...
Família reunida. O conforto da década de 50-60.

Onde foi que erramos? Ah, sim. Décadas depois, Jane casou-se com Robert e seus filhos conheceram algo novo, diferente e revolucionário, a segunda "modernização" chamada... "Computador".
A mãe voltava do trabalho no fim da tarde, buscava os filhos na escola, e ao chegar em casa, seu marido já estava na cozinha com um sorriso de alívio por ver sua família em casa - mais uma vez.
Os pequeninos correriam e pulavam, insistiam ao pai que os deixasse brincar no novo aparelho. Com entusiasmo, os dois pais, sentados na cadeira atrás, assistiam seus filhos jogarem algo na tela. Depois disso, para um outro aparelho - dessa vez, um pouco menor - onde as duas crianças podiam brincar juntas, com um tal de "controle" na mão.

Mas ainda, onde foi que erramos? Ah, sim. Décadas depois, os filhos de Jane casaram-se e seus filhos, com doze anos, conheceram algo novo, a terceira "modernização" chamada... Bom, não sei se há um nome. Talvez muitos. Notebook, Netbook, Ipad, Tablet, Iphone, Ipod, Galaxy, Android, Google, MSN, facebook, twitter, GPS... Tenho certeza de que há mais.

Os filhos dos filhos de Jane sentam-se no natal em volta da antiga televisão - onde seus avós e bisavós entretiam-se - e se pensam "como podiam viver assim?". Os avós e bisavós dos filhos dos filhos de Jane sentam-se no natal em volta da antiga televisão - onde costumavam entreter-se no passado - e, ao observar os filhos dos filhos de Jane com algo plano, de cor metálica e que emite sons e luz nas mãos, perguntam-se, em voz alta, "como podem viver assim?" - mas os jovens não ouviram, estavam entretidos demais nos seus aparelhos.
Os velhos, como foram chamados alguns minutos depois, com os olhos nostálgicos, sentiram uma dor no peito; essa, só os antigos podiam sentir. Esses jovens jamais sentiriam o prazer de sentar-se com a família pela noite e assistir simplesmente um programa - e sorrir!, sorrir como tolos, somente pelo fato de estarem juntos. Onde estava Jane? Onde estavam seus filhos? Onde estavam seus netos? Estavam ramificados - mas não se preocupe, vovó! diziam eles. Eles vão te mandar um SMS ou te ligam numa videoconferência para dizer "feliz natal". Ano que vem, talvez - disseram os jovens - talvez ano que vem eles venham comemorar com você.
E um sorriso. Saíram pela porta. O vento que entrou foi o mais frio de todos.


Velhos. Estamos velhos.




Feliz Modernização.





Lady Viana.







3 de ago de 2012

5 de jun de 2012

Os sonhos... Lady Viana

Os sonhos são tristes...
Acorda-se e são tão reais
que são irreais.


O mundo alterno que não pertence a esse.
O outro mundo em que tudo é sombrio.
É pavoroso.
É irreal.
É pavoroso.


Não há poucas ou muitas palavras para se descrever
quão tristes são os sonhos.

Lady Viana

3 de jun de 2012

Resenha Imparcial?




Caríssimo senhor Francioni; lendo sua matéria me ocorreu a possibilidade de sua opinião ter escapado na resenha musical decorrente do Festival em Lisboa. Ainda incrédula pelas vaias ao Evanescence, não nego em momento algum o talento do Metallica e outras diversas bandas que por um acaso - ou não - tocaram naquele imenso palco. Gostaria de comentar, assim como você, creio eu, quis também, que não me agrada a parte em que chama uma artista de tamanho sucesso como a Amy Lee de coitada. 
É claro que há outros que possam por um acaso não ter gostado da apresentação do Evanescence; mas já que aqui se encontra um debate, deixo claro que adoraria discutir com você, Senhor Cláudio, sobre os seus argumentos para que tenha postado sua opinião de forma tão não-sutil como essa. Estou disponível em meu e-mail, e sinta-se livre para responder a esse comentário. Aguardo sua resposta.

Acompanhem, só por via de satisfação, uma música que considero eu uma excelente composição do Evanescence, em que se prova os altíssimos vocais da cantora Amy Lee.







15 de mai de 2012

Lord Byron



Desfigurassem-me defeitos:
Mão não havia menos dura
Que a de quem antes me abraçava
Que me ferisse assim sem cura?

Lord Byron

27 de abr de 2012

Flor Transparente

Abri a janela e vi uma flor transparente. Não só uma, aliás. Um jardim inteiro. Não sabia que isso era possível.


Eis aqui, Marcha de Cecília Meireles.


Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.

6 de mar de 2012


Miserável tristeza.
Que me persegue até os confins.
Que farei eu, depois desta porta.

Que longo caminho e
 Tão vazio.
 É tão deserto.
 Sombrio.

 Ouço ecos do passado.
 E alguns infortúnios do presente.
 Que insônia suja,
  Persistente.

 Que noite maltrata
 Tanto quanto essa.
  Que não posso acordar.
                       
 Nem me manter na peça.

Lady Viana

11 de fev de 2012

Justiça?


"Eles vêm com os Olhos Fechados", [é a canção por Autumn Tears], cuja letra tem um trecho que diz "Would they dry my endless tears?".


Pode-se ter diversas interpretações para isso, mas o mais importante é que saibamos de uma coisa: a justiça é falha e faz vista grossa para o que acontece.
            Esta imagem retrata a expulsão dos habitantes do Pinheirinho, em São José dos Campos. Mais detalhes sobre isso são facilmente encontrados no Google. 
           
         Crianças. Famílias. Animais - e quanto a esses, refiro-me aos próprios animais humanos, os que se sentem confortáveis com a audácia de tirar vidas.
            
        Invasão. Não é somente o que ocorreu na antiga fazenda, atualmente apelidada de "Pinheirinho" por simples civis, mas policias, MEROS TRABALHADORES CONTRATADOS POR NÓS, DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, e que deveriam fazer nada menos!.. que o seu trabalho, PROTEGER A COMUNIDADE.
          
        O que é proteger a comunidade? O que é justiça? O que é isso, população brasileira, por que nos contentamos com as notícias?
         
         E não ouse você dizer que há inocente nesse mundo que mereça morrer - e sem dúvida alguma, na habitação Pinheirinho há quem seja de má conduta, mas não me refiro a estes, que atualmente estão vivendo no centro da cidade, e fazendo protestos que colocam em risco a vida da outra parte da população - refiro-me, e REPITO, que refiro-me ao homem trabalhador, à mulher dona-de-casa, às crianças, nossas futuras eleitoras! 
Onde é que há justiça em tirar o que já não tinha da família que já deveria ter?

John Locke (1623-1704) bem dizia!... dos direitos naturais do homem.
É CABÍVEL que se retire do governo o governante que tira tudo de nós. E ainda insisto. Se o governo não trabalha a favor do Homem, então ele não trabalha. Pois é essa a função do Homem Público, e nada mais claro que isso. 

"Tell me what has become of my life
I have a wife and two children who love me
I am the victim of police brutality, now"
Michael Jackson


O que diria o rei do pop, aliás. Será que ele não escreveria outra canção? Porque quando sofríamos ditadura militar na nossa República Federativa do Brasil, os bravos que atacavam os tiranos eram acima de tudo artistas. Os compositores, os escritores, os poetas.
Por que acima de tudo? Porque, acima de tudo, os compositores, escritores e poetas tinham a possibilidade de passar para a Nação o que acontecia na época.

 Nós pagamos o policial que desce o porrete na população. Nós pagamos para isso.



                         REVOLTE-SE, POPULAÇÃO. NÃO SEJA MASSA, SEJA UNIDO. 


        

4 de fev de 2012

Vidas amargas, Vidas sofridas - Mauro Teixeira de Souza


Vidas Amargas, Vidas sofridas

"Vidas amargas, Vidas sofridas
De mãos calejadas
E roupas cerzidas
De ombros caídos
E pernas enfraquecidas
De muito trabalho
E pouco salário
De muitas tristezas
E poucas alegrias

Vidas amargas, Vidas sofridas
De famílias faveladas
De pouca comida
E pouca mobília
Onde não se tem água
Nem energia

Vidas amargas, vidas sofridas
De botes alagados,
Malhadeiras furadas
E canoas vazias

Vidas amargas, vidas sofridas
De boates noturnas
De amizades fingidas
E falsas alegrias

Vidas amargas, vidas sofridas
Que choram desde a madrugada
Até ao romper do dia
A miséria é o seu viver
E a felicidade sua fantasia"


{Mauro Teixeira de Souza}


***

[Poesia presente no livro "Os Mais Belos Instantes da Vida"}

1 de fev de 2012

Vidas

Depois da pergunta, tomou um copo d'água. A entrevista estava sendo proveitosa.
-Que interessante ter perguntado. Já te contei de uma história que eu ouvia quando jovem?
Aí começou o drama.
         
  "Primeiro que ela era uma chaminé. Além de chaminé, também era um carro, só pode ser. Maria Gasolina. Não por gostar de passear - que era um hábito não propriamente ruim - mas por gostar de álcool, e quem sabe um pouco de gasolina também, aquelas vodkas fermentadas. Mas não era isso, não era isso, não. 
            Era que uma vez ela chegou assim para mim, e disse assim para mim, assim, que mais queria era que essa criança nunca tivesse vindo. Vindo, vindo, a criança ainda não tinha, mas tava lá, no jeito. Aí para quem pensa assim, só pode. Um mês depois a encontrei com o maço inteiro na boca dizendo que tava feliz de ter se livrado  da 'zica'."

Depois mais um copo d'água.
-Queiram vocês saber o que houve depois! Dizem que quando essa moça chegou aos céus, e encontrou seu paraíso - que reza-a-lenda que ela conseguiu passar pelos portões da magnitude - ficou satisfeita nos Jardins de Glória. Aí, um belo dia, ela resolveu que queria descer, nascer, e voltar para a Terra. Chegou para um guardião dos portões, no Barco da Vida, e disse "eu quero descer".
                 O Guardião, como sendo são, sorriu e deixou que ela entrasse no barco. Alguns dias depois, o barco chegou à uma Costa de Praia e deixou todos os outros navegantes na Praia. A moça continuou lá, esperando que chamassem seu nome para descer do barco - que toda aquela viagem a deixava com enjoo.
                Depois de muitos e muitos dias, semanas ou até meses, uns cinco, contara ela nos dedos, ela chegou  à uma Ilha Sombria, com nunves carregadas e vermelhas, de areia grossa e muito pedregulho. Ela desceu do barco, mas antes de botar o pé na Ilha, olhou para o Guardião, e perguntou "por que estou aqui e não na Praia com os outros?". O Guardião reprovou com um gesto. Respondeu "Tu não vai nascer, não. Quando poderia, quis se perder no oceano da injustiça". E ela, meio confusa, "por que isso? Quando foi que me perdi, se era tu mesmo que me guiava?".
                O Guardião, num mero gesto de apreensão, sorriu "quando tinha a chance de usar o dom divino de dar a luz à uma linda criança, preferiu negar. Agora, tu não vai nascer, não, mas é porque fizeram isso contigo".


Lady Viana





Diga não ao aborto. Tenha responsabilidade.



Aborto não unicamente destruir cruelmente um feto ligado ao umbigo de uma mãe; é abandonar, negligenciar e levar ao sofrimento e morte aquele ser que um dia nasceu para ter chance de viver dignamente. Aborto é crime.



Acesse o blog Gritos Inocentes. Não seja alienado.

Lição para a Vida


"Se partirmos do pressuposto de que o que importa é o mundo material, seremos apenas pedaços de carne prontas para serem servidas. Não nos restará nada."
Lady Viana



26 de jan de 2012

O Corvo - Allan Poe



O Corvo


Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.

E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minhalma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?
"E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!


Edgar Allan Poe