18 de abr de 2011

Influência da Mídia

Qual a influência de uma imagem para você?


Isso toca os sentimentos? Faz com que se sinta assustado, melancólico? Sinta pena?
Uma imagem pode valer por mil palavras ou por palavra nenhuma. Pode influenciar uma nação, mas pode não ser páreo para outros tipos de mídia.










Não se iluda!





Todos ficamos chocados com a tragédia do Rio de Janeiro, na semana passada. Não precisamos analisar perfis psicológicos para chegar a alguma conclusão.
Esses fatos lembram muito fatos que ocorrem nos Estados Unidos - o Brasil adora copiá-los.
Novamente, o Brasil está tendando copiar os Estados Unidos - "árabe não é sinônimo de terrorista"!
Procuro analisar friamente a matéria da veja; não é o meu foco, no momento. Mas algo me chocou. Na capa, "A Rede do Terror no Brasil". Agora eu me pergunto: será que com esse título as pessoas não temerão visitantes do Oriente Médio? Será que não crescerá um preconceito com essas atitudes? Será como os judeus na época do nazismo? Haverá carnificina? Isso tudo é utópico?
Mas, afinal, estamos falando do The Quiet Utopia!
Aqui vai a resposta para uma pergunta:

Numa visita a uma escola [cujo nome não será identificado] fez-se um debate com alunos de Colegial para procurar entender o que eles compreendem pela tragédia do Rio de Janeiro. Uma discussão se criou, e a poeira subiu quando um aluno disse que o assassino tinha ligação direta ao Islã. E isso, na opinião de alguns, era o motivo para ele ter ideias suicidas e terroristas.

Essa foi a conclusão da sala. É essa a conclusão do povo brasileiro? 'Que, de acordo com o "passado" dos Estados Unidos da América, prova-se que o terrorismo está ligado a Árabes? É isso o que você, leitor, pensa?

Não aceitem essa teoria; existem pessoas diferentes no mundo inteiro. Não criemos mais uma geração de preconceito e carnificina sem razão lógica - ou pelo simples fato de ser desumano.
Procure sempre se informar.

Sugestões Utopia 4


Sugestões Utopia 4




The Birthday Massacre - In the Dark


Pythia - Army of Damned


ReVamp - Head up High


Altar of Oblivion - Casus Belli


Charon - Colder

12 de abr de 2011

Do latim tripalium - Elvis Gomes Marques Filho

Cargo não remunerado, vitalício, desprovido de quaisquer prerrogativas legais (FGTS, auxílio doença, licença maternidade, dentre outros); sujeito a elevadíssimo grau de estresse físico e psíquico; necessário desembolso de consideráveis e constantes valores monetários; sumariamente proibido repouso de qualquer natureza; condições de trabalho, em geral, insalubres, com presença constante de coliformes fecais e uréia; não há direito a rescisão contratual. Carga horária: 168 horas/semana, isto é, 24h por dia, 7 dias por semana. Interessados, favor procurar espermatozóide apto a fecundar óvulo. Para exercício de todas as faculdades inerentes ao cargo, deve-se aguardar 9 meses, contados a partir da data de fecundação.
Muitos designam este cargo de “maternidade”. Oficialmente, porém, utilizamos a expressão “escravidão domiciliar”, bem mais condizente com os atributos desta função.
Vale ressaltar que, contrariando a lógica universal, o cativeiro materno é o cargo mais concorrido de nossa empresa. Tão intrigante é este fato que resolvemos elaborar enquetes, questionários e coletar dados estatísticos para apurar tal conduta. O resultado foi estarrecedor: 99% das entrevistadas dizem estar plenamente satisfeitas no exercício de sua função. 80% destas acrescentam ainda que nunca se sentiram tão realizadas no desfrute deste momento único. Afirmam que seus filhos (lê-se senhores de engenho) são tudo em suas vidas. Testes psíquicos posteriores, incrivelmente, comprovaram a sanidade destas afirmações.
Se as cláusulas do contrato permitissem, ofertaríamos honrarias e louvores a estas heroínas (e um tratamento psiquiátrico também). Acreditamos que mereçam mérito digno de sobreviventes de guerra, ou melhor, de devastações nucleares. Lutam, sacrificam-se, choram, gritam, enlouquecem. Tudo em prol dos filhos. E ainda encontram tempo para sorrisos, carinhos, abraços e afetos. Intrigante, não? A dedicação destas funcionárias, de fato, impressiona-nos.

Ps.: Solicitar inclusão de cláusula que isente a empresa da responsabilidade por danos psíquicos, tão comuns no exercício deste labor.

Escrevi este texto em homenagem a minha fã número 1, grande mulher de minha vida, meu amparo, refúgio e proteção: minha mãe. Hoje, mãe, nesta data tão especial, no dia de seu aniversário, quero que saiba que a amo e a admiro com todas minhas forças. Agradeço todos esses anos da mais pura dedicação e paciência. Agradeço, principalmente, por ser minha tão estimada sinhazinha. HAHAHA! Brincadeirinha.


 (Elvis Gomes Marques Filho)

3 de abr de 2011

Luz Acesa - Walcyr Carrasco

Uma noite dessas, ao sair, um amigo se surpreendeu com a sala toda acesa:
— Você não vai apagar a luz?
Sem jeito, desliguei. Lembrei dos meus tempos de menino. Sempre tive o péssimo hábito de deixar lâmpadas acesas. Mamãe reclamava:
— Olha a conta! Não somos sócios da companhia elétrica!
Luz é energia. Uma energia limitada. Quando se gasta demais aqui, falta ali. Quase todas as pessoas que eu conheço estão preocupadas com a defesa do meio ambiente. Agora, com o risco nuclear no Japão, não faltam discursos contra as usinas atômicas. Boa parte das necessidades energéticas do país depende delas. E aqui no Brasil se vive sob o risco de um apagão generalizado, porque, quanto mais o país se desenvolve, mais recursos energéticos são necessários. Constatei que muitas pessoas que discursam sobre a proteção do meio ambiente na vida prática são tão ausentes quanto eu. Esquecem de apagar a luz. E a água? Na academia vejo alunos que deixam o chuveiro ligado. São pessoas de bom nível, alta escolaridade. Mas não sabem fechar uma torneira! Desperdiça-se água no banho, ao escovar os dentes.
Tenho horror da poluição. Mas sou incapaz de deixar o carro em casa. Mesmo para pequenas distâncias. Outro dia me surpreendi com um conhecido: sai de Interlagos e pedala a bicicleta pela ciclovia. Só no final da pista pega o trem para o trabalho.
— Se a ciclovia fosse mais longa, nem trem eu pegaria mais — afirmou.
Senti admiração. Eu poderia caminhar até a academia. Seria um bom exercício.
— São Paulo tem pouco verde! — comentou uma amiga.
— Por que o seu quintal é cimentado?
Ofendida, ela retrucou que falava da falta de parques, de ruas arborizadas.
— O poder público tem de se preocupar!
— Mesmo um pedacinho de chão pode virar jardim — argumentei.
Há bairros áridos, sem verde algum. A Granja Viana é um bairro com muitos jardins, árvores e até reservas florestais. Até lá ganhei um vizinho de frente que reclama das minhas árvores. O motivo? As folhas que, levadas pelo vento, caem em seu quintal!
— Que absurdo! — disse para um amigo.
— Paulistano é assim mesmo, gosta de cimentar tudo!
Atualmente estou reformando minha futura residência. O arquiteto veio falar comigo.
— Que tipo de aquecimento? E as cortinas, por controle remoto?
Escolhi o solar, do tipo mais radical, que não usa energia elétrica jamais. Mostrei minhas mãos:
— É com elas que vou abrir as cortinas!
O arquiteto se espantou. Hoje em dia se colocam motores e controles em tudo! No meu atual endereço, quase enlouqueço quando vários maquinários resolvem ficar defeituosos ao mesmo tempo!
Radicalizei:
— Quero o mínimo de automação possível. Só para economizar energia!
Choquei meus amigos ao contar minhas decisões. Um deles lembrou:
— Mas é para seu conforto!
Justamente. Em nome dos pequenos confortos, costuma-se abdicar do de todos. As pessoas se acomodam. E fogem da sua responsabilidade, mesmo mínima, na preservação do meio ambiente.
Minha casa será à antiga. Mas não correrei o risco de ficar com as cortinhas emperradas porque o motorzinho quebrou. Ou de gastar água demais lavando o quintal, porque nele terei um jardim!
Um amigo esportista me deu a boa notícia:
— Assim é melhor para sua saúde! Quanto mais controles remotos a gente usa, menos se movimenta. E ganha uns quilinhos.
Sinto que começo a entender meu lugar no mundo. Não posso resolver todos os problemas da Terra. Mas sim viver de forma positiva. E com uma vantagem extra: vou emagrecer um pouco mais.