1 de fev de 2012

Vidas

Depois da pergunta, tomou um copo d'água. A entrevista estava sendo proveitosa.
-Que interessante ter perguntado. Já te contei de uma história que eu ouvia quando jovem?
Aí começou o drama.
         
  "Primeiro que ela era uma chaminé. Além de chaminé, também era um carro, só pode ser. Maria Gasolina. Não por gostar de passear - que era um hábito não propriamente ruim - mas por gostar de álcool, e quem sabe um pouco de gasolina também, aquelas vodkas fermentadas. Mas não era isso, não era isso, não. 
            Era que uma vez ela chegou assim para mim, e disse assim para mim, assim, que mais queria era que essa criança nunca tivesse vindo. Vindo, vindo, a criança ainda não tinha, mas tava lá, no jeito. Aí para quem pensa assim, só pode. Um mês depois a encontrei com o maço inteiro na boca dizendo que tava feliz de ter se livrado  da 'zica'."

Depois mais um copo d'água.
-Queiram vocês saber o que houve depois! Dizem que quando essa moça chegou aos céus, e encontrou seu paraíso - que reza-a-lenda que ela conseguiu passar pelos portões da magnitude - ficou satisfeita nos Jardins de Glória. Aí, um belo dia, ela resolveu que queria descer, nascer, e voltar para a Terra. Chegou para um guardião dos portões, no Barco da Vida, e disse "eu quero descer".
                 O Guardião, como sendo são, sorriu e deixou que ela entrasse no barco. Alguns dias depois, o barco chegou à uma Costa de Praia e deixou todos os outros navegantes na Praia. A moça continuou lá, esperando que chamassem seu nome para descer do barco - que toda aquela viagem a deixava com enjoo.
                Depois de muitos e muitos dias, semanas ou até meses, uns cinco, contara ela nos dedos, ela chegou  à uma Ilha Sombria, com nunves carregadas e vermelhas, de areia grossa e muito pedregulho. Ela desceu do barco, mas antes de botar o pé na Ilha, olhou para o Guardião, e perguntou "por que estou aqui e não na Praia com os outros?". O Guardião reprovou com um gesto. Respondeu "Tu não vai nascer, não. Quando poderia, quis se perder no oceano da injustiça". E ela, meio confusa, "por que isso? Quando foi que me perdi, se era tu mesmo que me guiava?".
                O Guardião, num mero gesto de apreensão, sorriu "quando tinha a chance de usar o dom divino de dar a luz à uma linda criança, preferiu negar. Agora, tu não vai nascer, não, mas é porque fizeram isso contigo".


Lady Viana





Diga não ao aborto. Tenha responsabilidade.



Aborto não unicamente destruir cruelmente um feto ligado ao umbigo de uma mãe; é abandonar, negligenciar e levar ao sofrimento e morte aquele ser que um dia nasceu para ter chance de viver dignamente. Aborto é crime.



Acesse o blog Gritos Inocentes. Não seja alienado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caso comente anônimo, diga seu nome! =)