1 de nov de 2013

Bebês surdos devem aprender língua dos sinais nos primeiros meses de vida - Fonte G1 SP


O maior desafio para quem trabalha com crianças surdas é acreditar nos bebês

como diferentes e não como deficientes. É, assim, que pensa a fonoaudióloga

escolar Sandra Refina Leite, que trabalha na Escola para Crianças Surdas

(ECS) Rio Branco, em São Paulo.

Para ela, a melhor maneira de potencializar a produtividade e o

desenvolvimento dos bebês é ensinar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)

desde os primeiros dias de vida. A fonoaudióloga participa nesta sexta-feira

(22), em São Paulo, de um encontro que vai discutir a educação para Surdos.


“Desde o momento em que os pais descobrem a surdez do bebê é importante

procurar um especialista para que, além da própria criança poder aprender a

língua dos sinais, eles também possam aprendê-la. É fundamental que a

criança desenvolva habilidades visuais para se sentir incluída socialmente e,

quanto mais cedo, iniciar o processo de educação, melhor”, diz.

“Todos os nossos esforços são para que a criança aprenda da maneira mais

natural possível”. 


A especialista afirma que os pais não costumam aceitar a surdez do bebê em

um primeiro momento. “Nossa sociedade não está preparada para a diferença,

e isso se reflete também no comportamento dos pais dos bebês, que demoram

um pouco a se acostumarem. Ainda assim, o resultado vale muito à pena”,

afirma Sandra.

A fonoaudióloga diz que em seis meses de atividades o bebê já começa a

reconhecer os sinais, mesmo que de maneira ainda não estruturada.

Em casa, é fundamental que os pais se comuniquem com o bebê por meio da

linguagem de sinais.

Ela reafirma, ainda, a importância de brincar com a criança e contar histórias.

“Aos pais cabe a tarefa de apresentar o mundo à criança, nomear pessoas e

coisas, para que ela entenda a complexidade do mesmo, e interaja sempre”,

diz.

Surdez

O teste, que identifica a surdez do bebê, pode ser feito ainda na maternidade.

As causas da deficiência podem ser muitas, mas as mais evidentes, segundo

Sandra, são casos de meningite, rubéola e toxoplasmose da mãe durante a

gravidez.


No processo educacional proposto pela ECS, o bebê participa de atividades

educacionais até os 3 anos, para se familiarizar com a linguagem de sinais. A

partir daí, a criança é encaminhada para o ensino formal em uma turma

composta apenas por Surdos. Depois do quinto ano do ensino fundamental, a

orientação é que esse seja encaminhado a uma escola tradicional,

acompanhado de um intérprete.


“Propomos que esse fique em uma escola especial, porque em todos os outros momentos do dia ele conviverá com pessoas ouvintes, dentro da própria

família. A idéia não é isolar o aluno, mas ensiná-lo a agir como uma pessoa

diferente, mas participante, quando exposto a quaisquer situações com

ouvintes”, afirma.

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