20 de mar de 2011

Penumbra (poema)




Penumbra


Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vez rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos


Por que não cala-te

E adormece nesse peito?

Ó! Espectru de luz...

Carrasco do meu silêncio


Leva! Afasta de mim

Os vestígios dessa lembrança

De quem chora pela ausência

E teme pela distância


Porque minha alma

Não surporta tanta angústia

Porque meu lamento

Aos teus ouvidos é música


E aqui neste claustro

Prisioneiro de mim mesmo

Me desfaço com o medo

Enlouqueço... Adormeço...


Por que tu és fogo que não arde

És paisagem fria e morta

És saudade que me invade

Destrói... Devora...


Não lembro quantos sorrisos

Cabiam em meu rosto

Tanto ardor! E quanto desejo!

Mas tu levaste todos...


Se Deus soubesse

Da minha existência

Não iria permitir

Tuas ofensas...


Por que me torturas

E não me condena?

Por que não me abandona

E me deixa morrer de tristeza?


Meu corpo é meu templo

É o resto em ruínas

É esquife do espírito

Que renuncia à vida...


Tu és a voz profana

Que ecoa em meus ouvidos

É a noite, é meu drama

Meu ritual de suicídio


Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vez rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento em meus olhos...


 Rodrigo Q.





2 comentários:

  1. Cara,não sou a fim de poema,mas esse está da hora!

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  2. Maravilhoso poema.

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