21 de ago. de 2020

Confissões de uma silhueta em crise - Ruth Manus

Queria gostar mais de corrida que de trufa.
E me sentir mais confortável de biquíni que de burca.
Queria malhar glúteos 4 vezes por semana.
E detestar açaí com granola e banana.
Queria ter tempo pra trabalhar e ser sarada.
E não ficar cansada com dois lances de escada.
Queria acreditar no colágeno, na goji berry e na chia.
E bater meus recordes de corrida todo dia.
Queria controlar minha ingestão de carboidrato.
E preferir comprar lingerie a comprar sapato.
Queria ter cinco pares de Mizuno.
E não o desejo de comer algo inoportuno.
Queria discutir quanto eu pego no supino.
E não qual o melhor doce de leite argentino.
Queria ter um certo ar de Afrodite
E nunca ter comprado um gel anti celulite
Queria uma barriga que sentada não faz dobra.
E não aproveitar dormindo o pouco tempo que me sobra.
Queria me sentir em casa na academia.
E colocar legging e top em manhãs frias.
Queria que minha dieta não fosse cheia de deslizes
E nunca ter cogitado um certo medo de varizes
Queria não me culpar por cada lata de cerveja
E me enxergar tão linda quanto o homem que me beija
Queria minha bolsa cheia de barras de proteína.
E tolerar sucralose, aspartame e sacarina.
Queria uma pele firme, livre de qualquer flacidez.
E ter mais medo de bunda caída do que de estupidez.

 

Resenha do livro Para sempre, meu amor, de Ane Braga

 Um dos meus romances favoritos, Para sempre meu Amor  da autora Ane Braga, tem suspense, intriga, mistério, humor e definitivamente, muita pimenta...rsrsrs

O livro conta a história (é com H mesmo, pois a parada é real) de dois casais super Hots: Regiane e Marcus; Liz e Sandro.

Regiane é uma moça  tímida de Ibitinga, cidade do interior de São Paulo, que tem um segredo de família. Ela sai de sua cidade e vai para a capital, arranja um emprego na empresa de Marcos e os dois acabam, digamos, conhecendo-se melhor.

Só que os rolos em que Regiane entra, leva Marcos a acreditar que a moça é na verdade uma espiã industrial-tecnológica do mal.

Coincidência ou não, Regiane acaba fazendo amizade com Liz, que é irmã de Marcos.

Liz é médica, trabalha com crianças com câncer e também é cientista. Foi noiva de Sandro, um cara do tipo AI MEU DEUS, dono de uma empresa de segurança tecnológica , mas o noivado acabou não dando certo, por que o garotão se esqueceu de dizer que já era noivo.

Liz some do mapa e Sandro fica procurando por ela por uma década - literalmente - sem saber que ela esteve o tempo todo bem pertinho dele.

A história vai crescendo e outros fatos e personagens vão entrando em cena de forma bem cadenciada.

O livro é muito gostoso de ler, a diagramação está perfeita, a fonte é bem agradável  e, embora tenha por volta de  200 páginas, você lê em menos de duas horas e fica querendo a continuação.

Comprei meu exemplar pela Amazon e depois descobri em outras lojas, por um preço bem menor.

Não sei o motivo da diferença de preços, mas vou deixar os links para quem quiser conhecer.


Para sempre, meu amor na Amazon : R$ 61,00

Para sempre, meu amor no Clube de Autores: R$ 35,76

Para sempre, meu amor na AgBook: 35,76

Para sempre, meu amor no Mercado Livre: R$ 25,00


O livro super vale a pena e para quem quiser conhecer um pouco dessa autora luso-árabe, ela tem uma página com vários textos de alto nível, inclusive para os pequenos, no Recanto das Letras .

Eu fico por aqui e sempre que tiver novidades, voltarei 😎




10 de dez. de 2015

2 de ago. de 2015

Voar

 Louis Faurer

O vento na sacada.
O vento na sacada.
Abre a janela, e o vento na sacada bate. O vento bate, mas o ar é pouco.
É preciso respirar.
—Preciso respirar.

Não quero toques, nem proximidade. Só quero liberdade de espaço, flutuar e planar, sem sair do lugar. Já me acostumei com a ideia, já estou aprendendo a aceitar. Só estou... aprendendo a aceitar. E vai demorar, mas Ó Deus, como queria parar de sonhar. Os sonhos e esperanças são os mais terríveis, são ilusões iludidas e quanto mais esperança há, menos esperança tenho. Ó Deus, só queria deixar de sentir. De sonhar.

Cansaço do espaço, um desejo de momento no espaço vácuo, cubo aberto, cubo vazio. Um espaço sem espaço, sem toques, nem proximidade. Só planar, só flutuar, sem toques e retoques. Uma reflexão. Mas é preciso ser sagrada, segura e no templo que é o próprio corpo. Sozinho, um momento de reflexão. Sem medo do entorno, sem medo de contato. O mundo externo machuca, é cruel. Dá sede. Muita sede.

—Eu só preciso respirar.
O ar não chega aos pulmões. E o medo do futuro, é o medo do desconhecido, medo do esperar, medo da ansiedade, e a falta de ar... Preciso respirar.
Um momento de reflexão para desejar sem limites.
—O que mais quero é....
No momento voar um pouco. Depois, um frio aconchegante. Uma organização metódica. Um cabelo preso. Um momento sem temer. Um momento sem se arrepender. Sem se lamentar, ou temer precisar fazê-lo. Um momento certo, de coisas certas, feitas corretamente. Um momento de certeza de estar na estrada correta, e um momento de certeza de que há motivo para tal.
Mas não há vento na sacada.
Sequer há uma sacada.
Sequer posso voar.



Lady Viana

24 de jul. de 2015

Feminista? (por Carol Rezende)

Excelente texto por Carol Rezende do blog Five Clothes sobre o movimento feminista no dia-a-dia.




***



Feminista?



Sim, sim, sim e outras dez mil vezes sim. Esse assunto tem me incomodado muito ultimamente e eu preciso falar.
Sou feminista sim, e não (!) odeio os homens, afinal eu tenho um pai maravilhoso, um irmão, amigos e um namorado. Não quero extirpar o sexo masculino da face da terra nem fazer dos moços meus escravos, tá claro agora? Ok.
Eu sou feminista porque o feminismo me liberta.
Porque eu tenho o direito de colocar a roupa que eu quiser, passar ou não a maquiagem que eu quiser. Porque eu não sou o sexo frágil  nem a donzela em perigo e eu não precisaria de proteção se todos entendessem que o meu corpo é unica e exclusivamente meu e eu faço dele o que eu bem entender.
Eu sou feminista porque não quero ser julgada menos capaz e menos inteligente, mais fraca, ou um objeto, só por ter nascido mulher. Porque quero trabalhar e ganhar o merecido, não menos por que pode ser que algum dia eu saia de licença maternidade. Sou feminista porque não aceito ordem de marmanjo nenhum e nem vou.
Porque to cansada de ter que colocar um shorts por baixo da saia quando ando de metrô. Não sou maluca que não gosta de elogio. Gosto sim! Mas de elogio que é elogio de verdade.
Quando elogiam um bom trabalho, meu esforço, eu aceito sim e muito feliz,mas não sou obrigada a aceitar um “gostooooosa” de um desconhecido.Não passo a mão no corpo de ninguém, e não quero que passem no meu. 
Sou feminista porque eu posso pagar a minha própria conta, e pago. Pago a de quem precisar que eu pague também, e se eu precisar que paguem pra mim, eu deixo pagarem.
Sou feminista porque não é xingamento chamar alguém de mulherzinha, porque homem que é homem chora sim se sentir vontade. Porque ele pode querer desistir do trabalho e cuidar dos filhos e ela também, mas não precisa.
Porque eu quero ter o direito de escolher se quero casar, se quero ter filhos. Porque eu não quero mais preconceitos e padrões de conduta determinados, porque eu quero ter o controle da minha própria vida.
Sou feminista por todas as outras centenas de injustiças que o machismo provoca e que não citei aqui, por todas as mulheres que sofrem violência, seja ela física ou moral, por todas as meninas que se sentem mal por não serem ou por não quererem ser o que todos esperam delas.
Sou feminista porque as mulheres são livres e elas tem que saber disso.
Não é meu sexo que coloca minhas limitações, nem a de mulher nenhuma. Não é um cara, nem o peso de uma sociedade toda que vai me fazer ficar quieta e aceitar tudo isso.
Eu tenho capacidade de fazer minhas escolhas, tenho direito a liberdade. 
Tá na hora de vocês aceitarem isso.



29 de jun. de 2015

"Admirável Mundo... Velho" por Mendes Viana


Mary Ellen Mark


Não sou um leitor ávido.
Tampouco tenho memória de elefante.
Mas algumas coisas em minhas experiências se destacam contra a minha vontade de esquecê-las.

Eis um livro detestável. Admirável Mundo Novo. Não o apreciei quando li, e sequer reli. Mas, como um infortúnio do destino, deparei-me com ele e suas histórias advindas no decorrer dos tempos. Uma coisa se destaca: uma personagem diferente dos outros. Não escondo, o final da história é um “quê” para mim, uma vez que o encerramento não passa pela minha cabeça (nem lembro do enredo).
Esse texto é um cheio de nãos.
Lembro-me, vagamente, de um personagem oposto ao coletivo, um atentado ao pudor – ou contra-pudor, quisera eu entender a história. E Huxley descreve, em seu livro, uma sociedade movida praticamente por instintos animais que, ironicamente, ignora o mundo ao redor de seu pequeno, porém amplo mundo.
Comecemos a esclarecer.
Um social tão voltado a seus lugares, que sequer considerou sair deles. E um indivíduo com defeito de fábrica ousa pensar diferente.
Basta de paráfrases, contento-me em pensar nos tempos atuais. Admiro-me com um oposto tão Caravaggio, tão chiaro-scuro dos tempos atuais – e tempos que nunca mudam, afinal.
Numa grande avenida, indivíduos caminham em prol da liberdade e igualdade – quase uma revolução francesa, porém voltada à revolução de gêneros. E, nesta mesma larga avenida, outdoors objetificando – e aqui, procuro cautela para não cair no senso comum – seres humanos em prol, por sua vez, de lucros. Profits. E pergunto-me, ingenuamente, quando foi que o ser humano passou a se vender e a seus vizinhos.
Descobri recentemente – e recentemente demais, diga-se de passagem – que um grande incitador do movimento “feminista” – temo em usar tais palavras, pois podem ser distorcidas. Mas prossigo; um grande incitador do movimento “feminista” na América foi a revista Ms. Uma revista criada por mulheres, naturalmente; porém mulheres que não se encaixavam em lugar algum. E a importância da revista é tão simples, porém tão grandiosa, que surpreendo-me de quando em vez comigo mesma ao perceber tal significância.
Traduzindo; a revista nada mais fez que denunciou. Informou. A revista mostrou às mulheres que a liam, e até mesmo às que não a liam, que a realidade era outra, diferente da que era idealizada e proposta, desde os anúncios até a televisão.
O mundo é tão hipócrita que fecha os olhos para si mesmo. O mundo é preguiçoso, teme ter que fazer algo. Pode se remoer por dento, pode ter pena, pode ter compaixão; mas não se move momento algum para mudar (se).
A moda faz-me rir.
Mac Adams

Tantos outros deixaram sua marca na história por fazerem algo diferente, e logo hoje, o século da liberdade e inovação, vejo que suas criações não passam de papéis ao vento.
A desilusão é grande nesse mundo para os que querem saber mais. Feche os olhos, eu aviso, feche antes que não o possa mais fazer.
Porque para cada grande homem ou mulher que é idolatrado, há o seu lado mais obscuro que poucos têm a coragem de mostrar.
Qual foi a minha surpresa, portanto, quando descobri estilistas envolvidos com o nazi-fascismo, extermínio de animais, escravidão e etnocentrismos? Encostei-me numa parede pois senti que não tinha chão. Os apoios estavam sumindo, e tudo em que eu acreditava evanesceu.
Para os que ainda estão encostados em paredes feitas de carne humana forradas com ouro e cobertas de diamantes e escritos, sugiro apenas que estude, pesquise, vá além. Porque, nos anos 70, as jornalistas da revista Ms. procuravam denunciar a realidade cruel e exploradora das mulheres em suas próprias casas; os poetas do meio do século XIX procuravam denunciar a escravidão; Galileu procurou denunciar a cegueira humana à humanidade (e acabou preso por tentar fazê-lo). Todos foram julgados, condenados. Porque o resto estava cego.
Você, que é jovem e o contrário de ingênuo, não seja cego. Você sabe que tem algo mais. Você sabe que tem algo escondido. Esse mundo é tão perfeito! É mesmo?
Garanto que se procurar saber mais, e acabar se desiludindo, quem vai sair perdendo não será você. Esse mundo fútil e insensível é que vai – vai perder um cordeiro e ganhar um lobo. Lobo esse que reconhece que a moda já foi, e não mais é, um painel de artes; belas-artes; a Arte, em si. Pois se há arte mais antiga que possa ser datada, citemos a moda. Caso não saiba mais definir “Moda”, não tema. Está correto.
Essas paredes podem ser derrubadas; e ao contrário da lógica, quanto mais paredes forem derrubadas, mais lares serão criados.





Por Mendes Viana.

1 de ago. de 2014

Jamais! - Lady Viana

   



    Um dia, uma moça limpava nossa casa no interior, e ao limpar o guarda-roupa, pegou uma blusa roxa despedaçada, sem botões, axilas cortadas... E disse “posso jogar fora?”.
Entrei num desespero-eufórico-exasperado e de pronto peguei da mão dela. “Jamais”, e fui embora.
    À noite, quando voltei da aula, no suporte para lixo em frente à casa, estava meu vídeo-cassete cinza-chumbo cheio de pó. Entrei num desepero-eufórico-exasperado e de pronto o tirei de lá, do lixo mesmo. “Que absurdo!”, entrei em casa batendo porta. Todos olharam em volta e disseram “joga esse treco fora logo, meu!”. “Jamais”, e fui embora.
    Na semana seguinte, estavam colocando as roupas no sol. No meio de toda a zona, tinha um blusão enorme branco, amarelado, meio comido pelas traças. Perguntaram-me “posso doar?”. Entrei num desespero-eufórico-exasperado e de pronto levei comigo. “Jamais”, e fui embora.
    Dizem que sou colecionadora de “tralhas”. “Lixo” ou “de coisas estragadas”. Não, são coisas perfeitas, no mais perfeito estado!.. Não conseguem ver com meus olhos? Obviamente não. Elas não sabem o que são essas coisas.
    Quando morava na Zona Norte, e chegava o frio de outono, minha mãe pegava aquela blusa roxa assim que acordava. Era um cardigan, e bem bonito, aliás. Às vezes usava para dormir, e a qualidade do fio era tão alta, que nunca ficou com bolinhas. Eu adorava o cheiro que ela deixava na roupa. Ainda adoro.
    Quando meu pai viajava, minha mãe dizia “vamos pegar um filme?” e passávamos na locadora da Cruz das Almas. Lembro de ter assistido “Vida de Inseto” umas quinhentas vezes, assim como Mulan, umas seiscentas. Como era nos anos 90, colocávamos num vídeo-cassete – o mais moderno do momento. Cinza-chumbo, com uma listra vermelha estilosa e o nome da marca estampado. Ninguém queria rebobinar a fita, porém.
    Quando o outono acabava, e o inverno vinha, com suas instabilidades – frio, calor, frio – minha mãe ficava resfriadinha. Ela usava a blusa branca quando íamos à biblioteca, e no bolso, eu lembro bem, sempre deixava um lencinho de papel amassado, que ela usava se precisasse. Quando ela tirava a blusona, eu me enfiava lá, e colocava a mão no bolso. Sempre tinha um lencinho.
    São lembranças rasgadas, empoeiradas, amareladas, mas eu nunca, jamais, as jogaria fora.


Feliz aniversário, Mamãe!


Lady Viana

25 de jul. de 2014

O Valor de uma Dona de Casa

Um homem chegou em casa, após o trabalho, e encontrou seus três filhos brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas.
Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida entregue em casa.
A porta do carro da sua esposa estava aberta.
A porta da frente da casa também.

O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo.
Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunça.
A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava enrolado e encostado na parede.
Na sala de estar, a televisão ligada aos berros num desenho animado qualquer, e o chão estava atulhado de brinquedos e roupas espalhadas.
Na cozinha, a pia estava transbordando de pratos; ainda havia café da manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no chão e até um copo quebrado em cima do balcão.
Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta.
Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos brinquedos espalhados e de peças de roupa suja.
'Será que a minha mulher passou mal?' ele pensou.
'Será que alguma coisa grave aconteceu?'
Daí ele viu um fio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro.
Lá ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas, sabonete líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia.
A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta e a banheira transbordando água e espuma.
Finalmente, ao entrar no quarto de casal, ele encontrou sua mulher ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista.
Ele olhou para ela completamente confuso, e perguntou: Que diabos aconteceu aqui em casa?
Por que toda essa bagunça?
Ela sorriu e disse:
- Todo dia, quando você chega do trabalho, me pergunta:
- Afinal de contas, o que você fez o dia inteiro dentro de casa?'
- Bem... Hoje eu não fiz nada, FOFO !!!! 


Retirado do Facebook!

14 de jul. de 2014

Luiz Almeida

Um texto magnífico retirado do blog Diário de um Resmungão, por Luiz Almeida. Todos os textos são excelentemente bem escritos, o Utopia recomenda!

  "    A vida é feita de passagens, encontros e despedidas são coisas recorrentes no cotidiano de um humano padrão, o que nunca percebemos é a grande quantidade de possibilidades que ignoramos quando temos uma abordagem indiferente no nosso cotidiano. Pode parecer um conceito estranho, mas aquele senhor que mora no final da sua rua tem uma vida tão importante quanto a sua mas as chances de vocês conversarem é tão pequena que você provavelmente vai passar a vida inteira sem saber da história dele...
       Algumas vezes passamos por pessoas que tem interesses similares aos nossos mas que jamais iremos conhecer pelo simples fato de nossas vidas não colidirem socialmente, por mais que você veja a pessoa todo dia na hora do almoço no boteco da esquina.
       Meu maior medo é perder oportunidades nessa vida, então sempre que consigo juntar coragem suficiente eu desejo bom dia à um estranho, também presto atenção à todas as histórias que consigo ouvir, posto que este é o único jeito de manter viva a memória de alguém depois dessa pessoa morrer.
       Eu sinto que todo ser humano devia fazer isso alguma vez, ouvir o que um estranho tem à dizer, abrir um sorriso para uma pessoa que talvez não vá ver sorriso algum em seu emprego estressante naquela tarde e vai chegar em casa só para não encontrar ninguém. Suponho que seja isso que torne o mundo melhor, essas pequenas coisas que podem fazer a diferença na vida de alguém.
       Peço porém que você, atento leitor que ficou comigo até este ponto, não leia este texto e esqueça do que eu disse, muitas vezes lemos alguma coisa na internet que achamos interessante e logo em seguida arquivamos em nossos cérebros para nunca mais pensar naquilo. Não, imploro que você aplique esse conceito no seu dia-a-dia, porque é assim que mudamos o mundo, fazendo um ato que será imperceptível, mas que vai transformar este triste mundo cinza e efêmero em um lugar um pouquinho menos cinza e levemente mais eterno."

Luiz Almeida

7 de jul. de 2014

Sozinho - Bianca Carvalho

Pois é bem melhor sozinho;
sente-se assim.
"Sozinho lido comigo
ninguém machucará a mim".

E com tinta pinta a solidão
um coração
trovão
no chão...

Decepção.

É melhor sozinho,
pois bem melhor.
Sozinho, lida-se com seus próprios defeitos
sem dor.


Ah, que deplorável
o sentir.
O ser
é desiludir.
Cansado
Raiva
Cansado de se cansar.
Chega, então.
Vá se amar...


Bianca Carvalho

3 de jul. de 2014

Coisas que não devem ser ditas a uma mulher gordinha...

"Coisas que não Devem ser Ditas a uma Mulher Gordinha"
por Pedro Araújo



"1. Você já tentou emagrecer?
Essa é a pior de todas, claro que toda gordinha já pensou ou pensa nisso, não porque ela não se goste, mas porque o preconceito (como esta pergunta) a persegue e a torna tão vulnerável que ela passa a pensar que só poderá ser feliz se for magra. Sabemos que estar com sobrepeso é prejudicial a saúde, mas ninguém é obrigado a perder peso só para agradar os olhos alheios.


2. Vamos fazer academia comigo?
Se uma pessoa quiser ir a academia ela vai, assim como se ela quiser viajar, fazer compras, ir ao banheiro, comer, fazer amor ou qualquer outra coisa. Não é porque ela é gordinha que ela está desesperada por academia e pra passar duas horas suando na esteira, ela é livre para ir quando quiser e não apenas porque você, supostamente, está preocupado com a saúde dela.

3. Você tem namorado?! (Espanto)
Claro que tem! Um dos grandes preconceitos que existem é achar que toda gordinha só se relaciona com uma caixa de bombons, faça-me o favor, né? Gordinhas são mulheres como as outras, são lindas, maravilhosas, sensuais e têm todo o direito de namorar, noivar, casar, fazer amor e viver uma vida feliz a dois. Existem mais gordinhas casadas e felizes do que magras solteiras e amargas.

4. Você vai sair usando ESSA ROUPA?
Como assim? Gordinha têm o direito de usar a roupa que ela quiser ou a que ela se sente mais confortável, claro que existem roupas que caem melhor em determinados tipos físicos, mas se ela se sente bem mostrando suas curvas, que seja! Pra mim, essa pergunta é coisa de amiga invejosa, que não tem os mesmos atributos da gordinha e quer que ela esconda para poder aparecer mais. Recalque!

5. Você viu aquele regime novo na televisão?
Claro que ela viu, assim como ela viu a novela, o filme, o desenho, o documentário e a série favorita dela, mas só porque ela é gordinha você acha que ela deve focar só no regime? Faz regime quem quer e quem se sente confortável com isso, ninguém é obrigado a nada e muito menos a agradar os outros.

Beleza não se limita ao corpo, até quando as gordinhas vão ser colocadas à margem da definição de ser "bela"? Fato é que todas as mulheres são lindas por natureza, e ser gordinha, é ser linda em dobro."

27 de jun. de 2014

Quem é chata, afinal? por Tatiane Ribeiro

"Quem é a chata, afinal?" por Tatiane Ribeiro
(Em resposta ao texto de Mariliz Pereira Jorge, para a "maravilhosa" Folha de São Paulo)

Aí você lê um texto em que uma mulher afirma que," enquanto algumas reclamam dos homens e vão dormir sozinhas, outras são bem sucedidas na dança do acasalamento". A tal cidadã é tão, mas tão entendida do universo feminino que alega que as mulheres que se autointitulam independentes esperam demais dos homens. Sim, para ela, toda mulher busca um cara rico e fodão, mas ela não se importa em ser "a outra" e não deveria se importar se ele é machista (Ahn???). Como ela mesma afirma, ela foi "escolhida" por um cara, então talvez não entenda o direito que algumas mulheres se dão de não serem escolhidas, tal qual mercadoria na prateleira. Talvez ela não entenda as outras mulheres porque ela acha que todos os seres humanos são iguais e buscam as mesma coisas. Pobre coitada! Pensa que todo ser humano se satisfará com o fato de ter grana pra comprar bolsa cara e um(a) parceirx para cópula. De certo, errada estou eu, que julgo essa visão de felicidade um tanto quanto limitada. Provavelmente, esteja eu equivocada ao pensar que mulher, para ser independente, não precisa apenas bater no peito para dizer que se banca - embora isso seja sim importante para nós, não precisa abdicar a maternidade - querer ou não ser mãe não tem NADA a ver com depender de um homem. Moça, eu não quero um chinelo velho, nem meu pé está cansado. Quero um ser humano completo, de um caráter compatível com o meu, independente de suas posses ou de sua escolaridade. Eu não quero "sossegar o meu rabo em um relacionamento feliz"; quero meu "rabo" livre por quanto tempo eu desejar, Primeiro estou aprimorando o meu relacionamento feliz comigo mesma, só depois poderei me partilhar com alguém. É uma pena que algumas mulheres, escravas do modelo tradicional de família feliz, pensem que algumas de nós estão solteiras porque ninguém as escolheu. Sis, entenda: nós estamos solteiras porque nos faltaram motivos para que ingressássemos em uma relação com os homens que nos "escolheram". Nós não queremos ser escolhidas - nem escolher; Queremos que a coisa simplesmente aconteça, sem que a gente sinta pressa em ostentar para a sociedade um macho alfa a tira-colo. Os homens da minha vida me amaram justamente pela minha personalidade, pela minha independência e, se "eles não me salvaram de jantar Miojo para o resto da vida", é por dois motivos principais: 1. Eu sei cozinhar e, mesmo que não soubesse, não me incomodaria em comer Miojo todas as noites - eu adoro!; 2. Nós compreendemos que alguma peça do quebra-cabeça de um não se encaixava no jogo do outro. É simples. Nós, mulheres solteiras, não estamos fadadas a passar a vida nessa solidão que tanto te preocupa, mas também não morreríamos depressivas se fosse este o caso. Quando uma mulher é verdadeiramente independente, ela responsabiliza suas conquistas pessoais pela sua felicidade, e macho para cópula não é exatamente uma conquista. Me desculpe, moça, mas uma criatura que trabalhou para a Veja e é funcionária da Globosta, não me representa. Não envergonhe as sisters, menina!

Chata? Chata é a mulher que não apoia as sisters e ajuda a reforçar o machismo. Quanto aos homens que concordam com essa senhorita, não me toquem que eu não me dou com gente de mente pequena!
2 beijos  

P.S.: Eu também tenho louça para lavar. 







O texto não sofreu nenhuma alteração ao ser transportado para o blog.

Lady Viana


Confissões de uma Silhueta em Crise - Ruth Manus

Queria gostar mais de corrida que de trufa.
E me sentir mais confortável de biquíni que de burca.
Queria malhar glúteos 4 vezes por semana.
E detestar açaí com granola e banana.
Queria ter tempo pra trabalhar e ser sarada.
E não ficar cansada com dois lances de escada.
Queria acreditar no colágeno, na goji berry e na chia.
E bater meus recordes de corrida todo dia.
Queria controlar minha ingestão de carboidrato.
E preferir comprar lingerie a comprar sapato.
Queria ter cinco pares de Mizuno.
E não o desejo de comer algo inoportuno.
Queria discutir quanto eu pego no supino.
E não qual o melhor doce de leite argentino.
Queria ter um certo ar de Afrodite
E nunca ter comprado um gel anti celulite
Queria uma barriga que sentada não faz dobra.
E não aproveitar dormindo o pouco tempo que me sobra.
Queria me sentir em casa na academia.
E colocar legging e top em manhãs frias.
Queria que minha dieta não fosse cheia de deslizes
E nunca ter cogitado um certo medo de varizes
Queria não me culpar por cada lata de cerveja
E me enxergar tão linda quanto o homem que me beija
Queria minha bolsa cheia de barras de proteína.
E tolerar sucralose, aspartame e sacarina.
Queria uma pele firme, livre de qualquer flacidez.
E ter mais medo de bunda caída do que de estupidez.
Ruth Manus

Facebook:  Ruth Manus

21 de jun. de 2014

Não - Lady Viana

Não
Lady Viana

Que é que houve, meu Deus
Que passa com essa saudade?
Permita-me dizer:
Essa loucura é maldade.

Há muito havia esquecido
O que outrora me atingira...
Hoje em dia, no entanto
Sinto-me...
Foragida.

Que farei eu para esquecer
Esse sentimento de maldição.
Devo voltar a senti-lo?
Hmm... Não.


20 de jun. de 2014

Benevolência - Lady Viana


Benevolência
Lady Viana

Sim, eu saberei
Quando te sentires
Insubstituível.

Sei que estarei
Onde precisares, onde for
Imprescindível.

Sei que errei
Quando me tornei
Indivisível.
Insensível.
Impossível.
Terrível.

Notei
Que me quebrei
Em pequenas partes.

Vê?
Passei a ver
[me]
Como um traste.

Trata [me]
Com desgaste
Arrasta
[me]
Por toda parte.

Tornei-me um peso
Para tua consciência
Agradeço a
[tua]
Paciência
Perdoa-me pela
Obsolescência
Então...
Compreenda a minha transparência.



Vejo agora tua prudência
E clemência.
Arrependo [me] agora
 da minha
Inocência.
Paciência...
Ah, a tua sapiência.
E, no entanto, a minha
Ausência...
Do outro lado, tua benevolência!
Paciência...
Paciência...









Viver - Lady Viana


Digo por ela...
Na vida há, de fato
Coisa mais bela.

Fácil é viver
E o dia é suportável.
Só se torna difícil à noite;
À noite é lamentável.

Para não sofrer muito
Não penso muito
Nem digo muito.
Assim, o momento será único.

Inútil...

Com o tempo, o tempo passa.
É só viver cada segundo.
Triste é, no entanto, viver sozinho e,
Lentamente, morrer a cada minuto.

                                                                         Lady Viana


6 de jun. de 2014

Lei da Palmada - Segundo Round

O Utopia já fez um post sobre a Lei da Palmada. A polêmica foi grande.
Agora que ela foi aprovada, aliás, sob o nome "Lei Menino Bernardo", a polêmica em redes sociais e círculos de pessoas está maior.

O Utopia comemora essa vitória, apesar de se entristecer por se fazer necessária a criação de uma nova lei redundante - o artigo 5º da Constituição Federal já ampara qualquer cidadão. Aliás, a criação de uma lei que considera crime descriminação de pessoas com Aids é outra redundância. Nesse mesmo artigo da Constituição há a "garantia" de igualdade e não-descriminação para todos. Mas isso é outra história.

Gostaríamos de esclarecer, para muitos cidadãos frustrados, que essa lei não quer interferir no que é chamado de "Modo de criar o meu filho", como tem explodido no facebook. O objetivo dela é proteger, e vamos enfatizar


Proteger as crianças que sofrem violência diária. Alguns pais revoltados estão lutando bravamente contra essa lei, mas ela visa assegurar os direitos contidos no ECA que garantem um ambiente seguro para viver.

Como o número de pessoas reclamantes está grande, gostaria de contar uma coisa que, aparentemente, não é assunto recorrente - acredito que esses pais não tenham conhecimento disso. Não julguemos, mostrarei aqui o que acontece em lares desestruturados para que tais senhores pais saibam também, afinal, eles acreditam fielmente que o governo lhes quer ditar regras.

Comecemos.



Esse documentário da Rede Record, de 2008(o vídeo é uma prévia do documentário completo), mostra um pouquinho do que é diário para muitas crianças e adolescentes no Brasil - e no mundo afora - e utiliza-se do cinismo para deixar claro que "os primitivos", e é claro que, ao dizer isso, o jornalista estava sendo bastante irônico, tratam suas crianças com mais respeito que os "civilizados" povos modernos. *Fatos comprovados, não especulações.

Para finalizar, eu poderia dizer quinhentas palavras, mas nenhuma delas diria tão bem quanto esse documentário do Fantástico exibido em 2013.





*pelo menos no caso dos grupos selecionados.

16 de abr. de 2014

Brasil...

"Dilma, deixa eu te falar uma coisa!
Sou Fernanda Melo, médica, moradora e trabalhadora de Cabo Frio, cidade da baixada litorânea do estado do Rio de Janeiro.
Este ano completo 7 anos de formada pela Universidade Federal Fluminense e desde então, por opção de vida, trabalho no interior. Inclusive hoje, não moro mais num grande centro. Já trabalhei em cada canto...
Você não sabe o que eu já vi e vivi, não só como médica, mas como cidadã brasileira. Já tive que comprar remédio com meu dinheiro, porque a mãe da criança só tinha R$ 2,00 para comprar o pão.
Por que comprei?
Porque não tinha vaga no hospital para internar e eu já tinha usado todos os espaços possíveis (inclusive do corredor!) para internar os mais graves.
Você sabe o que é puxadinho?
Agora, já viu dentro de enfermaria? Pois é, eu já vi. E muitos. Sabe o que é mãe e filho dormirem na mesma maca porque simplesmente não havia espaço para sequer uma cadeira?
Já viu macas tão grudadas, mas tão grudadas, que na hora da visita médica era necessário chamar um por um para o consultório porque era impossível transitar na enfermaria?
Já trabalhei num local em que tive que autorizar que o familiar trouxesse comida ( não tinha, ora bolas!) e já trabalhei em outro que lotava na hora do lanche (diga-se refresco ralo com biscoito de péssima qualidade) que era distribuído aos que aguardavam na recepção.
Já esperei 12 horas por um simples hemograma. Já perdi o paciente antes de conseguir um mera ultrassonografia. Já vi luva descartável ser reciclada. Já deixei de conseguir vaga em UTI pra doente grave porque eu não tinha um exame complementar que justificasse o pedido.
Já fui ambuzando um prematuro de 1Kg (que óbvio, a mãe não tinha feito pré natal!) por 40 Km para vê-lo morrer na porta do hospital sem poder fazer nada. A ambulância não tinha nada...
Tem mais, calma! Já tive que escolher direta ou indiretamente quem deveria viver. E morrer...
Já ouvi muito desaforo de paciente, revoltando com tanto descaso e que na hora da raiva, desconta no médico, como eu, como meus colegas, na enfermeira, na recepcionista, no segurança, mas nunca em você.
Já ouviu alguém dizer na tua cara: meu filho vai morrer e a culpa é tua? Não, né? E a culpa nem era minha, mas era tua, talvez. Ou do teu antecessor. Ou do antecessor dele...
Já vi gente morrer! Óbvio, médico sempre vê gente morrendo, mas de apendicite, porque não tinha centro cirúrgico no lugar, nem ambulância pra transferir, nem vaga em outro hospital?
Agonizando, de insuficiência respiratória, porque não tinha laringoscópio, não tinha tubo, não tinha respirador?
De sepse, porque não tinha antibiótico, não tinha isolamento, não tinha UTI?
A gente é preparado pra ver gente morrer, mas não nessas condições.
Ah Dilma, você não sabe mesmo o que eu já vi! Mas deixa eu te falar uma coisa: trazer médico de Cuba, de Marte ou de qualquer outro lugar, não vai resolver nada!
E você sabe bem disso.
Só está tentado enrolar a gente com essa conversa fiada. É tanto descaso, tanta carência, tanto despreparo...
As pessoas adoecem pela fome, pela sede, pela falta de saneamento e educação e quando procuram os hospitais, despejam em nós todas as suas frustrações, medos, incertezas...
Mas às vezes eu não tenho luva e fio pra fazer uma sutura, o que dirá uma resposta para todo o seu sofrimento!
O problema do interior não é falta de médico. É falta de estrutura, de interesse, de vergonha na cara. Na tua cara e dessa corja que te acompanha!
Não é só salário que a gente reivindica. Eu não quero ganhar muito num lugar que tenha que fingir que faço medicina. E acho que a maioria dos médicos brasileiros também não.
Quer um conselho?
Pare de falar besteira em rede nacional e admita: já deu pra vocês!
Eu sei que na hora do desespero, a gente apela, mas vamos combinar, você abusou!
Se você não sabe ser "presidenta", desculpe-me, mas eu sei ser médica, mas por conta da incompetência de vocês, não estou conseguindo exercer minha função com louvor!
Não sei se isso vai chegar até você, mas já valeu pelo desabafo!"
(Fernanda Melo)